Desenhar também é cuidar. Foi esta a ideia central que a nossa colega Natàlia Gómez Vives, designer de interiores e project manager de lares de idosos na Efebé, partilhou no passado dia 28 de maio na CUIDA 2026, o novo congresso e feira profissional especializada no cuidado de pessoas idosas, realizado em La Farga de L’Hospitalet.
Sob o título “Desenhar para cuidar: um novo olhar para humanizar os lares de idosos”, a sessão — realizada na Aula Profei — colocou o foco em como o design dos espaços pode ter impacto direto no bem-estar, na autonomia e na qualidade de vida das pessoas idosas, apostando em ambientes mais humanos e acolhedores.
Como podemos transformar a forma de cuidar através do design?
Durante a sua intervenção, Natàlia refletiu sobre como os espaços podem influenciar diretamente o bem-estar, a autonomia e a qualidade de vida das pessoas. Humanizar um lar, explicou, vai muito além da estética: trata-se de desenhar ambientes que tragam calma, conforto, orientação e ligação, tendo em conta as necessidades de residentes, profissionais e famílias.
Na Efebé acreditamos que desenhar espaços é também desenhar experiências de bem-estar: colocar as pessoas no centro para transformar a forma de cuidar.

CUIDA 2026: um novo ponto de encontro para o setor dos cuidados
A primeira edição da CUIDA, organizada pela Fundação FiraGran, encerrou as suas portas consolidando-se como um espaço de referência para o setor sociossanitário: mais de 1.300 profissionais participaram nas cerca de 80 atividades realizadas ao longo dos dois dias para refletir sobre os grandes desafios do setor.
O congresso colocou em debate alguns dos temas-chave que marcarão o futuro do cuidado às pessoas idosas: a transformação dos modelos de cuidados de longa duração, a dificuldade em atrair e reter talento profissional, o desgaste das equipas de cuidados, a integração sociossanitária, o financiamento da dependência, a solidão não desejada e o papel da tecnologia e da inteligência artificial no sistema de cuidados.
Uma das mensagens mais repetidas ao longo das sessões foi que a transformação do sistema de cuidados já não é uma opção futura, mas sim uma necessidade imediata. Neste sentido, a jurista e especialista em bioética Núria Terribas i Sala recordou que há aspetos do cuidado que “têm a ver com as relações pessoais” e que, por mais que a tecnologia evolua, dificilmente conseguirá substituí-los por completo.
O bem-estar dos profissionais, também no centro do debate
Outro dos grandes eixos da CUIDA 2026 foi o bem-estar das equipas de cuidados. Várias intervenções coincidiram em afirmar que não pode existir um modelo de atenção centrado na pessoa sem cuidar primeiro de quem cuida — uma ideia que se liga diretamente à forma como, na Efebé, entendemos o design de espaços para lares de idosos: pensados não só para quem neles vive, mas também para quem neles trabalha.
Espaços que cuidam, hoje e amanhã
A participação na CUIDA 2026 reforça uma convicção que já tínhamos partilhado após a Jornada ACP da ACRA: a humanização dos lares de idosos deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade. Espaços mais domésticos, ambientes terapêuticos e biofílicos, conforto ambiental e design que favorece a autonomia são, hoje, parte da solução para os grandes desafios do setor.